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Programa do Governo do Paraná já preserva 34 microbacias

Quarta-feira, 16 de setembro de 2015


Lançado pelo Governo do Paraná no ano passado, o Programa de Gestão do Solo e Água em Microbacias já está sendo implantado em diversos municípios. O projeto está em operação em 34 microbacias, número que deve chegar próximo de 70 até o fim do ano. O programa é um conjunto de ações para recuperar e manter a capacidade produtiva dos solos e melhorar a qualidade da água dos rios.

Ao todo, a iniciativa prevê a gestão de 350 microbacias em quatro anos, o que deve beneficiar cerca de 29 mil famílias de agricultores, com elevação da produtividade e, consequentemente, da renda. O investimento total estimado é de R$ 47 milhões.

O programa está sendo colocado em prática pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, em parceria com o Instituto Emater, produtores rurais, comunidades e prefeituras. Segundo o secretário Norberto Ortigara, há uma ameaça real à manutenção dos elevados níveis de produtividade nas lavouras do Paraná, com consequente reflexo na geração de renda nas propriedades, se não forem retomadas práticas de conservação já consagradas.

REFERÊNCIA - O Paraná já foi referência na área de manejo de solo na década de 1980, mas muitas práticas acabaram sendo abandonadas ao longo do tempo. “Se não fizer a gestão correta das microbacias, o produtor não apenas vai registrar perdas no solo por conta de erosão e assoreamento, mas também pela perda da qualidade da água, com consequente redução da fertilidade da terra e da produção”, diz Ronei Luiz Andretta, engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura e assessor técnico do projeto. “O produtor reconhece a importância dessas ações, porque sente na pele o desgaste do solo, com a perda de produtividade. Os agricultores entendem que o solo é o patrimônio deles”, afirma.

BENEFICIADOS - As primeiras 34 microbacias dispõem de R$ 4,13 milhões em recursos do programa e atendem cerca de 5 mil famílias rurais.

Em Dois Vizinhos, no Sudoeste do Paraná, cerca de 90 famílias já foram beneficiadas pelo programa, em quatro comunidades na região do rio Jirau – Fazenda Mazurana, São Braz, São Pedro do Bandeirante e Santo Antonio.

A gestão da microbacia, que começou há quase um ano, está em fase final, de acordo com Vinícius Deotan Coletti, chefe do núcleo regional da Secretaria da Agricultura e chefe do grupo gestor do programa na região. “Os trabalhos incluíram manejo do solo, integração entre estrada e lavoura e redução do uso de defensivos agrícolas”, explica.

De acordo com ele, o programa envolveu o terraceamento com trator de pneu e de esteira, aquisição de corretivos do solo, de materiais para construção de salas de espera para bovinocultura leiteira (manejo de dejetos) e para construção de cisternas, bem como a aquisição de um equipamento terraceador de base larga.

CAPACITAÇÃO - Os produtores familiares – com atuação principalmente na área de grãos, leite e avicultura – participaram de cursos e receberam orientação de técnicos da Emater e da Secretaria da Agricultura. O próximo passo, de acordo com Vinícius Coletti, será implantar o programa em outros municípios da região, como Nova Esperança do Sudoeste, que deve beneficiar 60 famílias, e em Salto do Lontra, com 300 famílias de produtores rurais. As duas cidades estão na microbacia do Rio Lontra.

NOROESTE - Em Terra Boa, no Noroeste do Paraná, os trabalhos de preservação da microbacia do Ribeirão do Figueira estão adiantados. Na região, o principal desafio era fazer a correção do solo, com a aplicação de fósforo e calcário. O esterco proveniente da avicultura da região também está sendo aplicado como fertilizante.

Além da correção do solo, os trabalhos incluíram o isolamento das margens do rio e coleta e destinação adequada de lixo e embalagens. A próxima etapa é fazer a proteção das nascentes dos rios. “Não há mais áreas para expansão da agricultura na região de Terra Boa. A saída é manter a fertilidade do solo para poder manter os níveis de produtividade nos próximos anos”, afirma Paulo Roberto Preto, coordenador regional da Emater em Cianorte.

A intenção é fazer, a partir de agora, o monitoramento das condições dos solos. De acordo com ele, a microbacia inclui 111 propriedades rurais e 42 famílias de produtores. As principais atividades são o cultivo de soja e milho e a sericicultura. Na região, os próximos municípios a implantar o programa serão Cidade Gaúcha, Rondon e Indianópolis.

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ÁREAS COM EROSÃO E VOLTADAS PARA

AGRICULTURA FAMILIAR SÃO PRIORIDADE

O Paraná tem cerca de 6 mil microbacias. As 350 escolhidas para o Programa de Gestão do Solo e Água em Microbacias tomam como base áreas com agricultura e pecuária intensiva com problemas de erosão, uso intensivo e inadequado de agrotóxicos e fertilizantes, alta fragilidade de solos (arenito Caiuá e Litoral paranaense) e com alta demanda de água. Além disso estão sendo priorizadas áreas com grande contingente de agricultores familiares.

A ideia é que as ações realizadas nessas microbacias tenham um efeito multiplicador para a comunidade, que pode, inclusive, procurar outras fontes de financiamento para alavancar as ações iniciadas pelo governo estadual.

O programa lista 12 ações diferentes atividades, entre ações individuais dos produtores e coletivas para melhorias das regiões de microbacias. Entre elas estão o terraceamento, aquisição de equipamentos e insumos, integração de estradas e lavouras, colocação de cercas, saneamento doméstico, proteção de nascentes e fontes de água, captação e armazenamento de água. Os produtores também poderão receber financiamentos nas ações individuais até o limite de R$ 6 mil cada um em cada microbacia.

Os recursos vêm de um programa multissetorial do Banco Mundial (Bird), estimado em R$ 714 milhões – 49% bancado pelo banco e 51% pelo governo estadual. O programa de gestão de microbacias conta com 6,7% desse valor em quatro anos. Os convênios entre a Seab e as prefeituras são firmados, em média, por dois anos, e está previsto um gasto de até R$ 210 mil por microbacia.

Fonte: AEN - Agência Estadual de Notícias

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