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Vírus reaparece e põe outra vez Brasil em perigo

Quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Sumido há quase 30 anos, o DEN-4 ressurge com risco de epidemia. Primeiro caso foi notificado em Roraima. Paraná é porta de entrada
Foz do Iguaçu - A suspeita de que o vírus da dengue do tipo 4 (DEN-4) pode estar novamente circulando no Brasil, depois de quase 30 anos ausente, pode trazer uma nova ameaça de epidemia ao país. A proximidade com a Argentina, onde o sorotipo já foi registrado neste ano, e o movimento constante de cargas e turistas pela fronteira deixam o Paraná ainda mais vulnerável ao risco de contaminação pelo DEN-4. Especialistas advertem que a presença de um novo agente pode elevar o número de casos positivos e aumentar a gravidade da doença.

O primeiro caso suspeito de infecção pelo sorotipo 4 foi notificado pela Secretaria da Saúde de Roraima no dia 30 de julho. Os pacientes, que se curaram sem necessidade de internação, não viajaram para outros países, o que evidencia que os casos seriam autóctones, ou seja, adquiridos na própria capital. As amostras positivas em testes iniciais foram colhidas de quatro pacientes de Boa Vista, onde o vírus 4 foi isolado pela primeira vez no fim de 1981.

As amostras de sangue ainda passarão por uma técnica chamada isolamento viral, que é específica para confirmar o sorotipo. O resultado definitivo deve ficar pronto em 15 dias. Exame semelhante já foi feito no primeiro caso suspeito, detectado há 11 dias, em análise realizada no Laboratório Central de Roraima. As amostras do paciente foram encaminhadas ao instituto do Pará, conforme protocolo do ministério. Os pacientes já tiveram alta médica e passam bem.

Atualmente, circulam no Brasil os tipos DEN-1, o DEN-2 (mais comuns) e o DEN-3, esse último novamente detectado no país no ano passado e apontado como um dos responsáveis pelos elevados índices de infecção verificados recentemente, inclusive no Paraná. Para o Ministério da Saúde, a principal preocupação agora é com o risco de o sorotipo se espalhar para outros estados. Desde a semana passada, outras 16 amostras aguardam a avaliação no Instituto Evandro Chagas (IEC).

Há cerca de dois anos, o ministério refutou achados de um grupo de cientistas de Manaus que apontaram a circulação do vírus 4 na cidade e argumentou que as amostras não teriam passado por todos os testes. Apesar da polêmica, o registro do vírus era esperado a qualquer momento, já que o DEN-4 circula há vários anos em dez países americanos, entre eles a Venezuela, vizinha a Roraima.

Portas abertas

Segundo o supervisor-geral de operações com inseticida do Centro de Zoonoses de Foz do Iguaçu, Jean Rios, como a maioria da população nunca entrou em contato com essa variedade, a probabilidade do número de casos aumentar é bem maior. “Quem já teve dengue está imune àquele tipo de vírus pelo qual foi infectado, mas não está protegido contra outro. Por isso, a circulação de um novo sorotipo faz crescer as chances de contaminação”, explica. “Caso esse tipo 4 se espalhe, todo mundo estará vulnerável.”

Rios garante que as ações contra a dengue são colocadas em prática durante todo o ano e direcionadas conforme a necessidade. “A região de fronteira sempre será uma porta de entrada de doenças por causa da grande circulação de pessoas e da proximidade com outros países. Sabíamos que o vírus tipo 4 havia sido detectado em um caminhoneiro no estado argentino de Santa Fé, mas as ações de controle na região devem continuar as mesmas”, observa. Acabar com os criadouros do mosquito transmissor ainda é a melhor prevenção.

Na Estação Aduaneira Interior (Eadi-Sul), em Foz do Iguaçu, entram diariamente entre 100 e 150 caminhões vindos da Argentina, a maioria com destino ao porto de Paranaguá. “É aí que está o perigo. Como a dengue demora certo tempo para se manifestar, uma pessoa contaminada pode levar o vírus a várias regiões sem que perceba que está doente, seja via terrestre ou aérea. Esse é um grande problema quando a questão é o controle de doenças transmissíveis”, aponta o supervisor.

Para o epidemiologista Jarbas Barbosa, ex-gerente da área de Vigilância em Saúde, da Or­­ganização Pan-Americana de Saúde (Opas) e atualmente consultor na área de Saúde do Senado, todo cuidado é pouco. “Em outros países, o sorotipo 4 nunca foi associado a epidemias explosivas, mas é bom ser um pouquinho pessimista”, reforça. “Quando o sorotipo 3 entrou no Brasil, também achávamos que seria tranquilo, mas a chegada de uma variedade asiática causou grandes estragos.”

Fonte: Gazetado Povo

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